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Março Lilás: Como abordar a campanha no ambiente de trabalho

Laço lilás
O Março Lilás é uma campanha lançada pelo Ministério da Saúde (Foto: jcomp via Freepik)

O mês de março é marcado pela campanha de conscientização Março Lilás, que visa promover a saúde da mulher, com foco na prevenção do câncer de colo do útero. Criado para sensibilizar a sociedade sobre a importância dos cuidados preventivos e do diagnóstico precoce, essa campanha também é uma excelente oportunidade para refletir sobre o papel da mulher no ambiente de trabalho e como as empresas podem apoiar a saúde física e emocional das suas colaboradoras.

Neste artigo, abordaremos a importância do Março Lilás no contexto empresarial e como as equipes de Recursos Humanos (RH) podem utilizar essa temática para promover a conscientização, a inclusão e o bem-estar no ambiente corporativo. Além disso, discutiremos formas de engajamento e ações que podem ser implementadas para estimular a participação de todos na causa, seja por meio de campanhas internas, treinamentos ou atividades de suporte.

O que é o Março Lilás?

O Março Lilás é uma campanha lançada pelo Ministério da Saúde com o objetivo de conscientizar a população sobre a importância da prevenção e diagnóstico precoce do câncer de colo do útero, além de contribuir para o enfrentamento dessa doença.

Segundo o órgão, o câncer de colo de útero é o terceiro tipo mais comum entre as mulheres no Brasil, ficando atrás apenas do câncer de mama e do câncer colorretal, além de ser a quarta principal causa de morte feminina.

A principal meta da campanha é reduzir esse número alarmante, incentivando as mulheres a se informarem sobre as formas de prevenção, e alertando sobre os sintomas iniciais da doença. Para isso, o Ministério da Saúde oferece uma série de serviços gratuitos por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), incluindo orientações sobre prevenção, exames diagnósticos, acompanhamento ambulatorial e tratamentos como cirurgia, quimioterapia e radioterapia.

HPV e o Câncer de Colo do Útero

Também conhecido como câncer cervical, o câncer de colo do útero é causado pela infecção persistente por determinados tipos de Papilomavírus Humano (HPV), mais especificamente os tipos oncogênicos. O HPV é uma infecção sexualmente transmissível comum que, em muitos casos, não provoca sintomas e não causa doenças. Contudo, em algumas situações, a infecção pode levar a lesões no colo do útero, vagina, pênis e ânus.

Quando a infecção não é tratada, pode resultar em alterações celulares que, com o tempo, podem evoluir para o câncer. Essas alterações são facilmente detectadas pelo exame preventivo, o Papanicolau, que é fundamental para o diagnóstico precoce e é curável na maioria dos casos. Por esse motivo, a realização periódica do exame é essencial, pois o câncer de colo do útero se desenvolve de maneira lenta e muitas vezes não apresenta sintomas nos estágios iniciais.

Prevenção

A vacina contra o HPV é a principal forma de prevenção do câncer de colo do útero. Ela está disponível para meninas de 9 a 14 anos e meninos de 11 a 14 anos nas Unidades de Saúde da Família em todo o país. A vacina pode prevenir até 70% dos cânceres de colo do útero e cerca de 90% das verrugas genitais causadas pelo vírus.

Outra maneira eficaz de prevenção é diminuir o risco de contágio do HPV, que é transmitido sexualmente. O uso de preservativos durante as relações sexuais reduz significativamente o risco de infecção. Além disso, é fundamental que todas as mulheres, após o início da vida sexual, realizem o exame preventivo regularmente. Esse exame pode detectar alterações celulares precoces e, quando tratadas adequadamente, essas alterações são curáveis na maioria dos casos, evitando o desenvolvimento do câncer.

Relação entre saúde da mulher e o ambiente de trabalho

As empresas desempenham um papel crucial na promoção da saúde de seus colaboradores, e isso inclui o cuidado com a saúde das mulheres no ambiente corporativo. Um dos desafios enfrentados pelas mulheres no mercado de trabalho está relacionado ao equilíbrio entre a vida profissional e pessoal, além de questões de saúde específicas que podem impactar seu desempenho, como doenças femininas e condições relacionadas à maternidade.

Embora o Março Lilás tenha como foco a saúde física, em particular a prevenção do câncer de colo do útero, a campanha também pode ser uma excelente oportunidade para refletir sobre outros aspectos da saúde das mulheres. No ambiente de trabalho, muitas vezes as colaboradoras enfrentam a sobrecarga de responsabilidades, que inclui não apenas as demandas profissionais, mas também questões pessoais e familiares. As empresas devem ser sensíveis a essas realidades e implementar políticas e ações que promovam um ambiente de trabalho inclusivo e acolhedor.

Ideias de ações de conscientização

O departamento de Recursos Humanos tem um papel estratégico na criação de ambientes de trabalho saudáveis e inclusivos. Durante o Março Lilás, é possível aproveitar essa pauta para reforçar o compromisso da organização com a saúde das mulheres e garantir que as colaboradoras se sintam acolhidas e apoiadas.

Algumas das ações que podem ser adotadas pelo RH incluem:

  1. Promoção de campanhas educativas e informativas: O RH pode organizar uma campanha interna para disseminar informações sobre o câncer de colo do útero e outros cuidados com a saúde feminina. Isso pode incluir palestras com médicos, distribuição de folhetos informativos, vídeos explicativos ou workshops sobre a importância dos exames preventivos.
  2. Parcerias com clínicas e hospitais: Para garantir que as colaboradoras possam acessar exames preventivos de forma facilitada, o RH pode buscar parcerias com clínicas ou hospitais locais para oferecer exames gratuitos ou com descontos. Além disso, pode haver a criação de uma agenda para que as mulheres do time consigam agendar os exames durante o expediente, sem comprometer sua rotina de trabalho.
  3. Criação de espaços de apoio à saúde mental: O RH pode trabalhar em conjunto com psicólogos e terapeutas para criar programas de apoio à saúde mental das colaboradoras. Isso pode incluir sessões de terapia online, workshops de gerenciamento de estresse ou meditação, além de programas de orientação para lidar com questões emocionais e de ansiedade.
  4. Ações de inclusão e empoderamento feminino: Março Lilás também é um momento ideal para refletir sobre a igualdade de gênero no ambiente de trabalho. O RH pode utilizar essa oportunidade para discutir a importância da diversidade e inclusão, além de realizar ações que promovam a igualdade de oportunidades entre homens e mulheres. Isso pode incluir workshops sobre liderança feminina, mentoria e programas de capacitação.
  5. Espaço para discussão e desconstrução de tabus: O câncer de colo do útero, como outras questões de saúde feminina, ainda pode ser um tema considerado tabu em muitas culturas. O RH pode criar espaços seguros para que as colaboradoras se sintam confortáveis para falar sobre suas experiências, medos e preocupações em relação à saúde, e até mesmo compartilhar dicas de autocuidado.

Engajamento das colaboradoras: Como incentivar a participação

O engajamento das colaboradoras é um aspecto essencial para que as ações do Março Lilás sejam bem-sucedidas. Além de criar campanhas informativas, é importante criar um ambiente que incentive a participação ativa e o envolvimento de todas as mulheres da empresa. Algumas estratégias incluem:

  1. Incentivar o uso de roupas lilás: O simples gesto de incentivar os colaboradores a usarem roupas lilás no mês de março pode gerar um grande impacto simbólico. A cor lilás, associada à conscientização sobre o câncer de colo do útero, torna-se uma forma de manifestar apoio à causa e de incentivar o debate sobre saúde.
  2. Organizar rodas de conversa: As rodas de conversa são uma excelente maneira de promover o engajamento, criando um espaço em que as colaboradoras possam compartilhar suas experiências e esclarecer dúvidas sobre saúde, carreira e questões pessoais. Essas discussões também podem abordar a importância da prevenção e autocuidado.
  3. Gamificação e desafios: A implementação de atividades de gamificação pode incentivar a participação de forma leve e divertida. Por exemplo, o RH pode criar um desafio interno para incentivar as colaboradoras a agendarem seus exames preventivos e marcarem pontos em um sistema de premiação. Além de ajudar na conscientização, esse tipo de atividade torna o tema mais acessível e engajador.
  4. Divulgação de relatos; Trazer relatos de mulheres que passaram por situações de risco ou que enfrentaram o câncer de colo do útero pode ser uma forma poderosa de sensibilizar as colaboradoras. Compartilhar histórias reais cria empatia e incentiva outras mulheres a cuidarem de sua saúde de forma preventiva.

Como medir o impacto das ações de conscientização

Após implementar as ações durante o Março Lilás, é fundamental avaliar os resultados para entender o impacto da campanha no ambiente de trabalho. Algumas métricas podem ser utilizadas, como:

  • Taxa de Participação nos Programas de Exames Preventivos: A quantidade de mulheres que agendaram e realizaram exames preventivos durante o mês de março pode ser um indicador importante.
  • Engajamento nas Campanhas Informativas: Medir o alcance e a participação nas ações internas (como palestras, rodas de conversa e atividades de gamificação) pode ajudar a entender como as colaboradoras estão interagindo com a campanha.
  • Feedback das Colaboradoras: Realizar pesquisas de satisfação e solicitar feedback sobre as ações pode proporcionar insights valiosos para futuras iniciativas de conscientização.

Conclusão

O Março Lilás oferece uma excelente oportunidade para as empresas fortalecerem seu compromisso com a saúde e o bem-estar de suas colaboradoras. Ao utilizar esse mês para promover ações de conscientização sobre o câncer de colo do útero e outras questões de saúde feminina, o RH pode contribuir para a criação de um ambiente de trabalho mais inclusivo, empático e saudável.

Ao implementar campanhas educativas, promover espaços de apoio à saúde mental e garantir que as colaboradoras tenham acesso a exames preventivos, as empresas não só cumprem sua responsabilidade social, mas também demonstram um compromisso com a saúde e o empoderamento feminino, gerando benefícios para o bem-estar das suas equipes e para o desenvolvimento de uma cultura organizacional mais humanizada e inclusiva.